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26
Out22

26/10/2022

por Quiquera

Quem nos vende a ideia da maravilha que pode ser o ser-se adulto deveria ser processado.

Cansa-me esta vida em que ando mas não saio do mesmo lugar.

Os problemas pedem soluções, a energia foge e não encontro nenhuma.

Apetece-me voltar ao berço e dormir,  o tempo que agora perco em insónias.

Se mo deixarem fazer, prometo que rejuvenesço o olhar.

 

Quiquera

publicado às 11:57

15
Out22

15/10/2022

por Quiquera

De ti sinto falta

                    do cheiro

                                do riso

                                      da mão no ombro

                                                 do ombro amigo.

 

De mim sinto falta

                            do sonho, 

                                     do prazer,

                                              da leveza,

                                                    do conjugado fazer.

 

Senti que em ti me salvava

                                  através de ti construí-me

                                                                 como ser próprio

                                                                                    de voz única

                                                                                                caminho lavrado.

 

Entretanto, partiste

                          e descobri-me

                                             completa

                                                         imensa

                                                                  exposta

                                                                            irremediavelmente só.

 

Agora salvo-me

 

                                   nas memórias

 

                            nas obras

 

                    no que sou

 

  mas não sei ser.

publicado às 18:05

09
Out22

09/10/2022

por Quiquera

A noite estava escura, sem lua ou luz de gente

Os corvos já se tinham deitado e as corujas teimavam em não se levantar.

Do fundo da rua, algures onde os candeeiros já não existiam

(e mesmo que existissem, já teriam desistido de alumiar)

um burburinho foi-se levantando, lento, de início, subindo de tom como se se aproximasse.

Por muito que os gatos virassem a cabeça, nada viam e todos pensaram

"se o gato não vê, então é porque não existe".

Mas a noite já não era a mesma.

De repente, dos céus subitamente iluminados, começaram a cair estrelas, sonhos, panfletos de promessas de felicidade.

O burburinho virou clamor, a emoção tomou conta de cada um, acreditando que era o dia que voltava antes da hora esperada.

Alguns sentiam-se tranquilos, numa notícia que já esperavam. Mas para muitos foram momentos de ansiedade, para outros verdadeiro pânico.

A felicidade anunciada em panfleto, os sonhos que lhes caíam nos braços... E depois o que fazer da vida? Procuraram a resposta no sacerdote local, que debitou algumas das palavras incompreensíveis habituais, ele próprio esmagado pela oferenda que lhe caía nas mãos.

Mas o medo e a ansiedade não tiveram tempo para se acomodar.

Tão súbito como surgiram, as estrelas voltaram a subir aos céus e os sonhos evaporaram-se na mão, numa espécie de fumo provocado pelo fogo fátuo dos panfletos.

Logo vozes clamaram ser obra do diabo; acusaram políticos, indigentes e as habituais bruxas locais de criarem o logro para os iludir e voltaram ao silêncio da sua vida quotidiana, nocturnamente calados.

Na mão de uns quantos, que não se deram a conhecer, ficaram alguns restos de sonho, escondidos, esperando (inutilmente) um melhor momento para os erguer.

publicado às 12:43

04
Out22

04/10/2022

por Quiquera

Com uma mão pego no batom

E traço a linha do meu desejo

A outra, desenha no espaço curvas e desatinos

Ao som de pensamentos e canções

Que enchem a cabeça

Onde antes havia, apenas, espaço vazio

O meu cérebro imagina-te sentado

(Encantado)

A ver a construção a lápis, rimel e sombras

Com que disfarço os assombros do meu olhar

Amachuco o papel onde marquei o meu beijo

(Mais um que não foi teu)

E avanço para um espaço que quero meu

Mas que, verdadeiramente, nunca alcanço

 

Quiquera

 

 

publicado às 18:43


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