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29
Set22

29/09/2022

por Quiquera

Hoje estou em dia de saudades.

Esbarro-me perante o espelho,

conto rugas, manchas, marcas, sardas

numa contabilidade de anos passados

e sonhos idos.

(Des)entregue ao trabalho,

perco-me no movimento dos dedos

sobre as teclas, sob a luz

que alumia os meus sonhos

futuros, imaturos, 

numa espécie de meninice tardia.

Quando me chega a tua gargalhada

não me surpreendo da impossibilidade daquele som.

Deixo-me ficar a sonhar,

dedos perdidos no teclado,

numa espécie de emburrecimento,

surpreendente para quem o vê.

A música não me desperta,

apenas o som de um trovão distante

(também ele irreal).

Sei que não estás aqui,

mas na verdade,

a bem dizer,

eu também não.

publicado às 11:50

20
Set22

20/09/2022

por Quiquera

Num qualquer outro universo 

Estás aqui ao meu lado 

Teus braços enlaçam meu corpo

E protestas com meu sonho acordado.

Aí, o ar cheira a baunilha ou a canela 

E a chuva cai suave lá fora.

Nesse mundo inexistente

Pouso a caneta ou o telemóvel

Inscrevo-me no teu corpo 

E abafo o pesadelo

De viver noutro universo

Em que não te encontro.

Mas tudo isso é sonho 

E eu sigo na minha insónia

A tentar desfazer-me

da ausência de ti.

 

Quiquera

 

 

 

 

 

 

publicado às 06:46

17
Set22

17/09/2022

por Quiquera

Dos braços

sobram-me dez dedos

que buscam a tua pele

distante

fria

inerte.

A cabeça

perdida em sonhos

ilusões

alucinada

nada diz.

Os olhos não choram

limitam-se à procura

inquieta

irrealista

vã.

Recuso a palavra

ao coração

que te perdeu

mas não deixa

de ouvir as tuas palavras.

E no meio

deambulo

recuo e

sobrevivo

na contagem dos dias que passam.

 

Quiquera

 

 

 

publicado às 12:25

13
Set22

13/09/2022

por Quiquera

Da janela aberta chega o som do mar.

Noite de mar agitado.

De tempos a tempos, um carro,

Um cão que ladra,

Alguém que fecha um estore ou uma janela.

As gotas da chuva recente tombam das árvores

Grossas

Sobre as caixas metálicas que as rodeiam.

No céu

A lua domina.

Ora aberta, ora escondida por uma nuvem.

Uma delas,mais escura, forma uma boca que engole, momentaneamente, a lua

Qual cabeça esfomeada de luz.

Em redor da lua um halo de luz emprestada

Que as gotas das nuvens torna colorido

Supondo superstições antigas

Ou magias recentes.

Pela janela aberta lanço o fumo do cigarro.

O primeiro desde há um mês.

Dança o fumo, procurando 

Competir com as nuvens distantes

Em tudo isto me perco

No medo de mais uma noite mal dormida

Mal sonhada

Cansativa

Tanto quanto a vida me cansa.

 

Quiquera

publicado às 00:30

05
Set22

05/09/2022

por Quiquera

Fim de férias que não o foram a sério.

Precisava de tirar férias de mim, provavelmente;

ou da vida,

e dos dias a contar dedos de preocupações

que me pesam nos ombros.

É a vida, bem sei.

Mas também a vida cansa

e, de vez em quando,

perde o sentido.

Perco o pé,

a mão, 

a cabeça desligada do coração.

Preciso de um sinal.

Teu ou não.

Apenas um sinal.

Sem isso,

não sei onde virar,

para retomar caminho.

 

publicado às 19:55


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