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23
Nov21

23/11/2021

Carta para ti

por Quiquera

Estou cansada.

A insónia não me tem dado tréguas. 

Normalmente acordo cerca das 5 / 6 da manhã e ali fico, a virar e revirar na cama, à espera de voltar a adormecer. O que raramente acontece, sem que tenha passado, pelo menos, uma hora de reviravoltas.

Deito-me mais cedo e a chegada da insónia antecipa-se também. Tornando a noite infinitamente longa.

Frequentemente - lembro-me agora - a insónia sobrevém uma aparição tua num qualquer sonho.

 

Talvez seja isso que me mantém acordada. O medo de voltar a sonhar contigo. 

Ou o medo de me esquecer de ti. Das tuas feições. Das tuas mãos. Do teu cheiro.

Sim, já tive sonhos em que te cheirei de novo. As memórias soltam-se mais à noite, assaltando os sentidos oníricos.

 

Tenho saudades.

Precisava que te sentasses ali, no sofá, ao meu lado. Que me passasses um braço sobre os meus ombros, e a minha cabeça pousasse no teu peito, a ouvir o coração a bater.

Mas esse é um som do passado, não é verdade?

 

Ou então não são saudades, mas apenas cansaço.

Sinto-me tão cansada que, por vezes, me parece que vou desistir.

Que me apetece sentar naquele mesmo sofá e deixar-te partir.

Definitivamente. Seja lá isso o que for.

 

Já te contei que o céu estava hoje rosado como tanto gostas?

Quiquera

20211113_173651.jpg

 

 

publicado às 22:38

19
Nov21

19/11/2021

Sonho

por Quiquera

Disseste-me um dia, zangado, que o meu problema era falta de sonho.

No momento brinquei que estavas errado, que o meu problema era,  sim, falta de sono.

Mais tarde, já sem ti, sentei-me a pensar no assunto.

Não sei se me doeu mais a crueza das palavras ou o constatar da realidade: não me conhecias de todo 

Das horas livres do meu dia, mais de metade são passadas a sonhar acordada. Sonho com o que pode acontecer e o que não pode. Com amor, trabalho, viagens, sonhos variados em vários tons de realidade.

Se até sonhei contigo!

De noite, meu cérebro não dá descanso e os sonhos sucedem-se, ora caóticos, ora clarividentes.

Também aí sonhei contigo.

Assim, durante cerca de 50 anos.

Acho que hoje te posso responder: meu problema não é sonhar pouco, é sonhar demais.

O teu, é não estares preparado para os sonhos que alimento.

Não sonhamos juntos, enfim.

publicado às 12:58

15
Nov21

15/11/2021

anergias

por Quiquera

Este último ano e meio parece ter roubado grande parte da energia que tinha.

Por vezes penso tratar-se de uma reacção à pandemia, outras de uma crise de meia idade.

Sim, as mulheres também as têm. E, como aos homens, pode dar para várias coisas. Comprar um carro desportivo, largar o marido por um homem mais novo, ficar quieta.

No meu caso, nunca me deu para pensar em carros desportivos. Estão longe do meu gosto. E do meu bolso.

Largar o marido, também não é opção. Primeiro tinha que o ter... E o trabalho que daria um homem mais novo!! Já não tenho unhas para essa guitarra. 

Portanto, fico mais quieta.

Sinto-me sem energia, cansada das dificuldades da vida.

Fartíssima desta pandemia, dos números, dos pânicos, do "ora abre, ora fecha", das desconfianças e dos medos.

Então, deixo-me ficar quieta.

Na secretária, amontoam-se as tarefas que esperam, mesmo as que têm prazo marcado, as cartas que esperam resposta (desculpem os que aguardam)...

Mas, curiosamente, não me decido a deixar tudo, deitar tudo fora, e deixar-me ficar quieta de vez. Parece-me que seria desistir de quem sou.

Assim, vou estando neste limbo anérgico, que faz jus à resposta padrão portuguesa:

"Como estou? Olha, vou andando".

Quiquera

publicado às 22:22

10
Nov21

10/11/2021

Bucket lists

por Quiquera

Há muitos, muitos anos (talvez uns 25 anos) iniciei uma bucket list.

Aliás,  várias, separadas por temas: viagens a fazer, desafios a cumprir, objectivos, sonhos tontos, sei lá...

Ao longo dos anos fui actualizando, acrescentei itens,  retirei outros - cumpri alguns desejos.

Deixei o papel e passei tudo para um ficheiro, que passou de computador para computador.

Com os anos, os eventos de vida foram empurrando as listas para o esquecimento. 

Hoje, ao procurar um ficheiro antigo, reencontrei-as, esquecidas numa pasta com o nome de "suspensos".

Resolvi relê-las. Perceber que não havia nada de novo para marcar como feito, não foi uma surpresa.

Depois, num jogo de "dedo na ferida", comecei a marcar aqueles objectivos que já não têm possibilidade de acontecer.

Aos poucos fui pensando que não importa, que é tempo de olhar para o feito e esquecer o que ficou pelo caminho.

Ainda não cheguei à aceitação plena.  Não sei se alguma vez acontecerá. 

Mas pronto. Encolho os ombros, volto ao trabalho e sigo em frente. Mais uma vez.

publicado às 21:36

04
Nov21

04/11/2021

Sombras

por Quiquera

20211104_085314.jpg

Gosto do jogo de sombras, que por vezes o sol me oferece.

A chávena na minha mão esconde, na sombra, o seu conteúdo. Deixa espaço aberto à interpretação da imaginação. 

De uma sombra fazer uma história,  criar um mundo e mergulhar nesse espaço,  fazê-lo meu.

Para mais tarde, me esconder na realidade, lembrando sombras que me levaram para longe de mim.

Quiquera 

publicado às 08:56


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