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31
Ago21

31/08/2021

por Quiquera

Nada pior do que num dia em que nos sentimos cansados, surgir uma música que nos remete para tempos passados mais felizes.

O coração sangra, sentimos as lágrimas a jorrar por dentro, sem podermos deitá-las para fora. A dor passa mesmo de emocional a física.

E a essa música sucede-se outra e parece que não vamos aguentar.

Então a memória de uma conversa recente transformou o que era tristeza e pura saudade em raiva.

Há dias, foi-me dito por alguém que agora tinha a vida que sempre sonhara. Senti-me contente por essa pessoa. Genuinamente.

A questão é que o evento que lhe deu essa vida sonhada, tirou-me a vida sonhada e acabou com o investimento de trabalho duro de mais de 7 anos.  E essa pessoa, creio, sabe-o.

Só não tive a coragem de o verbalizar, talvez para não lhe estragar a tranquilidade.

Há cobardias (minhas) assim.

publicado às 19:02

30
Ago21

30/08/2021

por Quiquera

Sabem aqueles dias que amanhecem nevoentos?

Aqueles em que acordamos, olhamos pela janela e pensamos que precisamos limpar melhor os olhos, até descobrirmos que não estamos a ver mal? 

Algo deste tipo 

20210830_065822.jpg

Pois é,  foi assim que começou o dia hoje. A dar vontade de voltar para a cama.

A manhã levantou, fez-se um dia bom, típico de final de agosto, abafadamente quente.

Mas fica aquela sensação de nostalgia, de cheiro a outono, as árvores a perder as folhas,  os miúdos a preparar o regresso à escola.

Como eu gosto de dias assim!

Quantas lembranças trazem!

publicado às 14:54

26
Ago21

26/08/2021

por Quiquera

Por vezes deleito-me a imaginar o que aconteceria se, num qualquer diálogo da minha vida, eu desse as respostas que me passam pela cabeça, antes de lhes aplicar o filtro do bom senso.

Sei lá, qualquer coisa do tipo:

Um telefonema que fazemos por pura cortesia e que andamos a adiar há meses. Pedimos desculpa pelo silêncio dos últimos tempos, agregando uma justificação coxa qualquer. Do outro lado dizem que não faz mal, que compreendem. E nós responderíamos "Sério? Óptimo, então desculpa mas vou desligar e ligo daqui por mais uns tempos".

Claro que podem alegar que poderia ser o outro a ter o ataque de falta de filtro e dizer algo que eu não gostaria de ouvir. Na verdade, não seria totalmente novidade na minha vida. Já recebi vários diálogos "sinceros", até mesmo aquele telefonema que começa por um alegre olá e segue-se de "ah! mas não era para ti que queria ligar. Mas olha, pronto, estás bem? gostei de te ouvir. Um dia destes ligo outra vez" e, pronto, fim do telefonema e de contacto por mais uns meses / anos.

Normalmente sou aquela pessoa que é classificada de muito calma, boa pessoa, mesmo. Confiável. Que está sempre lá. Voluntariosa, no sentido de ser sempre das primeiras a avançar quando algo tem de ser feito.

Não sou assim, por dissimulação, ou para agradar ao outro. Creio que é uma questão de hábito de vida. É preciso fazer, embora fazer. Atenção às palavras, mantém o filtro, que não tens direito a magoar o outro de forma gratuita. Sê gentil, que a p. da vida já é o que é.

Resultado, em algumas versões mentais dos outros sou a querida, noutras sou a parva.

Na minha sou apenas eu a ser eu mesma.

Mas voltando à vaca fria. E se eu queimar um pouquinho o filtro? Já o fiz em diversas ocasiões, mas a reacção é sempre um "ela anda cansada" ou "não anda bem". 

Ultimamente dou comigo a esticar a corda cada vez mais, gradualmente. Ainda não está grave, creio, pelas reacções. Pelo menos ainda ninguém me aconselhou uma consulta de psiquiatria ou de neurologia. Já há quem me evite, um pouco. Ou quem comece a ligar os filtros.

Ainda ninguém disse que, afinal, não sou boa pessoa. Por isso, creio que ainda posso esticar mais um bocadinho. 

Boa pessoa...

De vez em quando, paro a pensar se sou realmente boa pessoa.

Invariavelmente a resposta é não. Eu conheço os meus pensamentos. Quem pensa as coisas que por vezes penso, não pode ser boa pessoa.

Sou apenas uma pessoa "normal", dentro de um mundo por vezes muito "anormal".

Seja lá o que for a normalidade.

publicado às 17:01

22
Ago21

22/08/2021 (II)

por Quiquera

Estás por aí?

Hoje acordei com uma telha descomunal! Não sei porquê.

Não me lembro do que sonhei (o que é deveras incomum), apenas alguns flashes momentâneos de caras, de vozes. Quase tudo personagens desconhecidas...

Não sei sequer se estavas lá, nos meus sonhos, mas foi para ti que se dirigiu a minha zanga matinal. Acho que se me aparecesses à frente serias brindado com um daqueles meus momentos épicos, em que combino, com absoluta mestria, a minha arrogância, a minha violência e a minha paixão.

Como não havia possibilidade de tal, fui destilando essa energia agreste em afazeres domésticos. Felizmente, quando chegou a hora de fazer o almoço, já me sentia mais tranquila. Nem imagino como teriam ficado os comensais a degustar algo confeccionado em tal fúria. 

Mas correu tudo bem.

Da minha fúria matinal sobra agora um cansaço, uma tristeza insossa... E uma semente guardada de palavras por dizer que um dia farão estrago, suspeito.

publicado às 15:44

22
Ago21

22/08/2021

por Quiquera

Mais uma vez, deito-me às 3h da manhã,  mas ainda sem sono.

Já dei 3 voltas à casa, numa espécie de maratona doméstica. Verifiquei se os cortinados do lado do sol matinal estavam fechados; olhei para o congelador a pensar "o que faço para o almoço de amanhã " e não resolvi nada; olhei para a agenda dos aniversários para concluir que me esqueci de alguém...

Acabei por me dirigir para o quarto,  sem grande convicção.  

À entrada,  um par de sapatos. Baixos. Cor-de-rosa. O que é que me deu para comprar uns sapatos cor-de-rosa? 

Bem sei que é um rosa suave, mas nunca foi a minha cor!

E assim fiquei uns minutos, deitada de lado, a olhar os sapatos.

Sabes que, na verdade, até gosto dos sapatos. Acabam por ser discretos no pé.  

Distraíram-me da insónia.

Cansaram-me em caminhadas imaginárias. 

Tanto que,  desconfio, estar na hora de finalmente dormir.

 

publicado às 03:11

20
Ago21

20/08/2021

por Quiquera

Decidi não dar nomes aos posts. Aliás, resolvi denominá-los pela data de escrita.

Já tive um blog antes e dei comigo a repetir títulos, o que me desagradava muitíssimo. Era a prova provada da minha evidente falta de imaginação.

Agora a falta de imaginação continua, mas dou menos por ela. Uma espécie de amnésia titular vai-me impedir de me martirizar quando estiver a escrever pela enésima vez sobre a mesma coisa.

 

Não seremos mesmo assim? Andamos sempre de volta do mesmo, só vamos mudando substantivos, adjectivos e outras classes gramaticais que não vêm aqui ao caso.

Eu falo contigo, como poderia falar com qualquer outro fantasma do meu passado. És todos eles. Eles e elas, que eu sou democrata e pelos direitos iguais! 

(Estranhamente veio-me à memória Orwell e o seu "Todos animais são iguais, mas há uns que são mais iguais que outros").

 

 

É libertadora, esta história do blog novo. Sem identificação, na certeza que não o lês.

Posso disparatar à vontade sem beliscar a minha fama de pessoa ponderada. Fugir ao mundo dos seriamente grandes (e lê isto como te aprouver).

 

Disparate... Eis uma palavra interessante! Podemos transformá-la em dispara-te, em dispar ate (bem sei, não faz sentido, mas não é para isso que estou aqui). Diz Pára-te!

Pára-te Quiquera! Parvoíces!

E nem sequer foi para isto que fiquei em casa, hoje! 

Olha, mais logo falamos...

Quiquera

 

 

publicado às 16:37

15
Ago21

15/08/21

por Quiquera

Ontem voltei a sair do cabeleireiro com o cabelo vermelho.

À saída uma das raparigas disse com ar bem disposto:

- Abriu a feira! Faça-me um favor e vá dar uma volta por lá.

Como quem diz "esse visual é para mostrar por aí".

Sorri e vim directa a casa.

No caminho, pensei no que parecem pensar de mim. Sem angústia. Mais com surpresa.

Chegada a casa, fui-me despentear um pouco frente ao espelho. Gosto do que vi. A cor a dar vida a uma face cansada dos 50 anos de remação.

Olhei-me nos olhos e perguntei:

- Porque é que fazes isto? Deus sabe que não há ninguém a quem andes a tentar agradar. E quanto a agradares-te a ti mesma, esquece.

O espelho reflectiu uma tentativa de sorriso que os olhos não acompanharam.

Não me leves a mal, mas sei que sou uma mulher inteligente, mas não entendo.

Não me entendo. Menos ainda a forma como as pessoas me vêm, tão diferente do que sempre achei de mim.

Ainda no espelho do cabeleireiro olhei-me com atenção e pensei "isto vai correr mal". Não o penteado! Não! A vida. O que ainda vem.

Tão diferente, a vida real,  do que imaginei. Tanto que o futuro não deverá ser muito diferente do que hoje é.

Talvez, um dia, me lembre de Harold Fry e me faça de vez ao caminho.

Mas ao contrário dele, irei, provavelmente, sem destino, sem ninguém para me despedir.

E não haverá mal nenhum nisso.

 

Quiquera                                                

 

 

publicado às 15:39

01
Ago21

Satie

por Quiquera

Foi um dia de família, de conversas, de cuidares.

Domingo, enfim.

O final de tarde apresentou-se calmo; a tranquilidade do céu semi-nublado reflectida na escolha musical.

Retirei-me para o escritório da casa, sem vontade de trabalhar, de pensar. 

Apenas uma fuga para o meu reduto.

Lá fora as nuvens correm e o céu, lentamente, escurece.

Trago comigo a música de Satie. Sonoridades adequadas aos meus sentidos.

Músicas de nomes estranhos a combinar comigo: Gymnopédies... Gnossiennes... suaves, lentas, tristemente melancólicas.

Um copo de vinho rosé fresco rega-me os pensamentos.

É tão estranho ser adulto! 

Pouco do que imaginava, aconteceu.

Mas o rosé embala-me para a primeira gnossienne, fecho os olhos e sonho.

Rodopio, como as crianças, braços abertos, cabelo a esvoaçar, enquanto tu, sentado no teu cadeirão, observas e tiras notas.

A diferença é que já não tenho medo.

Talvez seja isso que implique ter-me tornado adulta.

 

publicado às 20:16

01
Ago21

Noite de sábado

por Quiquera

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Agosto começa. 

O vento parou e a noite fez-se serena. 

No céu não encontro estrelas,  apenas o ponto brilhante de um qualquer satélite distante.

A coruja pia, incessantemente,  em busca de caça.  Espreito pela janela, à sua procura, mas subtilmente escapa-se por entre o escuro da noite e das árvores.

Mais uma noite de sábado.  Vi um filme a lembrar outras noites, de sábado ou não. 

No ar um insistente cheiro a perfume. O teu perfume?

Cheirei as almofadas, a minha roupa,  os cortinados, tudo. Mas de lado nenhum vinha o cheiro.

Apenas um truque da minha memória a recordar o que já julgava esquecido.  

Porquê hoje? Não sei. Não é nenhuma data especial. 

Só sei que fiquei a ver o filme contigo sentado ao meu lado.

Espero que tenhas gostado. 

publicado às 01:29


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