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17
Out21

17/10/2021

por Quiquera

Como se foi tornando hábito, aproveito o final de tarde de domingo para me sentar no escritório da casa a preparar os trabalhos da semana.

Como banda sonora hoje optei pela música brasileira.

Entretanto a necessidade de um copo de água leva-me à cozinha, mas, para contrariar hábitos, regresso ao escritório pela varanda. 

Num repente o luar de uma lua ainda incompleta, traz-me a lembrança da esperança em sonhos nunca atingidos.

Foi curioso, uma espécie de memória mas sem associação a nada de específico.

A recordação de um sentir que me abandonou há alguns anos, talvez.

Acabei por me encostar ao parapeito a olhar o silêncio do bairro, a sentir o cheiro da noite húmida, a ouvir a cor da vida dos vizinhos que me alcança pelas suas janelas entreabertas.

Lembrei sonhos dos meus 15, 20, 30, 40 anos. 

Num exercício inconsciente, deixei-me inundar daquela nostalgia esquecida, de quem procura ainda acreditar.

Pela porta aberta do escritório, vinha o som suave do Samba da Bênção, tão a propósito.

A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida

Palavras sábias, que só um poeta sabe encontrar.

Terminar o disco, regresso ao trabalho.

Com  noção clara de algo em mim que já não é.

A ferida aberta de uma saudade que não se apaga.

Saudade de mim, de ti, de tanta coisa que já morreu

E da parte de mim que partiu com esse fim.

    Quiquera

 

publicado às 20:10



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