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09
Out21

09/10/2021

por Quiquera

Lembram-se de, aqui há uns anos, se ter falado da geração nem-nem?

Jovens que nem estudavam nem trabalhavam? Jovens desenquadrados que não se reviam em nenhum caminho, que não vislumbravam um futuro e que, sem objectivos ou sonhos, deixavam-se vogar pela vida, a experimentar caminhos vários.

Embora as gerações anteriores também tenham vivido este fenómeno,  a geração que está agora nos 30 tornou-o mais evidente, na região onde vivo. Em cada prédio havia pelo menos um nem nem. O que não era pouco.

Conheci vários desses jovens de perto. Ouvi as suas frustrações,  as revoltas, as desilusões e ilusões.  

Com o tempo vários redescobriram o seu lugar na vida, escrevendo a sua história à sua maneira. Uns voltaram aos estudos, outros ingressaram no mundo do trabalho, vários constituíram família.  

Com mais ou menos sucesso pessoal (não falo de finanças mas de satisfação individual) começaram a redescobrir o seu posicionamento no mundo.

No entanto vários ficaram presos nesse limbo de ser nem nem.  Dependentes de outros que, frequentemente, desistem deles, deixam passar os dias frente a um qualquer ecrã,  a jogar às guerras, ao grand theft auto, a ver séries de anime, procurando refugio num mundo violentamente imaginário, onde são os heróis de uma qualquer vida virtual. Por vezes pouco comunicam para lá da tecnologia, não os vejo felizes.

Aflige-me esta fuga, esta ausência de objectivos, a desistência de si.

Como se algures no caminho tivessem apagado os sonhos e esperanças coloridas e passassem a ver o mundo em matizes de cinzento.

Desistentes de si. 

Desistentes da vida. 

Desistentes do amor.

Que é essencialmente a mesma coisa.

publicado às 22:33


6 comentários

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Isaurinda baltazar 09.10.2021

É verdade existem até demais.
Perderam o sentido da vida.
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Quiquera 09.10.2021

É verdade. 
Mas como devolver-lhes sentido? Principalmente aos que acham que assim é que estão bem, sem perceberem que mais cedo ou mais tarde cairão desamparados.
Enfim, talvez seja uma questão de tempo. 
Noite descansada, Isaurinda baltazar.
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Zé Onofre 10.10.2021

Boa noite, Quiquera
O que faz falta, a esses jovens, é unir a malta.
O que faz falta, a esses jovens, é descobrir a força que tem a malta.
 Quando se está à beira do precipício a solução não é fazer o caminho de retorno, mas bater as asas e voar para a outra margem. Aquela em que estão e ali os pôs já mostrou que não é solução.
Deve haver entre eles, ou muito próximo deles, alguém que os ajude a voar em conjunto, e não cada qual por si.
Deve haver entre eles, ou muito próximo deles, alguém que os ajude a encontrar o caminho para a salvação - ou se salvam todos, ou não se salva ninguém.
Zé Onofre
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Quiquera 10.10.2021

Concordo, José Onofre. O que lhes faz falta é descobrir a sua própria força. 
E também acho que quem está próximo deve ajudar a que reajam à vida.
Mas, do que tenho visto,  muitos recusam qualquer tipo de acção,  reacção,  de intervenção. 
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Corvo 11.10.2021


O que eu acho, é que a tecnologia vindo facilitar a vida das pessoas não soube parar a tempo.
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Quiquera 11.10.2021

Sim, acabou, em alguns casos, por criar alienação e perda de contacto com os outros. Mas, creio, cabe-nos fazer um esforço por combater estes fenómenos, continuando a aproveitar as vantagens da tecnologia, mas sem perder o prazer do contacto directo com o outro.

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